A oferta de produtos voltados para o público infantil aumentou muito. Este mercado movimenta, hoje, mais de R$ 50 bilhões por ano no Brasil, segundo o Ibope. E não é à toa: a publicidade precisa formar mercado. Visando às crianças, a publicidade está garantindo o consumidor de amanhã.
Durante muitos anos, a criança foi vista como uma miniatura de um adulto, ou seja, um indivíduo com a percepção e experiências apenas menos desenvolvidas. Com a tendência da segmentação por nichos cada vez mais freqüente, criou-se a necessidade de desenvolver técnicas mais aprofundadas para entender esse tão novo consumidor.
As crianças formam um grupo extremamente suscetível aos estímulos publicitários e como não reconhecem necessidades e desejos, tornam-se um prato cheio para as empresas ávidas pela preferência por sua marca.
Segundo o senso de 2000, realizado pelo IBGE, crianças de 0 a 14 anos representam quase 30% da população do país e 78% delas vivem nas cidades, portanto mais próximas aos bens de consumo industrializados. Este mercado lhe parece significativo para a nossa economia, ou não?
Crianças são grandes consumidoras de brinquedos, alimentos, vestuário, além de serviços específicos como: bufês infantis e escolas de esporte e dança. Mas sua relação com o consumo é inicialmente passiva, pois que sua família escolhe os produtos que serão usados em seus primeiros meses de vida. A cada ano o público infantil chega mais cedo à maturidade, influenciado pelos meios de comunicação, músicas ou ambiente social onde está inserido. Essa maturidade inclui a consciência de consumo e torna o jovem consumidor mais e mais seletivo com relação às marcas com o passar dos anos. Deste modo, o mercado infantil deve ser trabalhado desde cedo de maneira apropriada para que sejam gerados bons resultados com o passar dos anos.
As motivações que levam os “pequenos” a pedir e até mesmo a comprar de fato um produto, podem gerar ainda mais complexidade do que no mundo dos adultos, pois as pessoas não estão cientes do que as leva a consumir e este fator é ainda mais acentuado nas crianças que ainda não tem conhecimentos sobre o mundo, e sobre si mesmos, muito desenvolvidos.
Podemos reconhecer alguns comportamentos que são o reflexo de motivos latentes e não manifestos. Podemos citar o caso de crianças que pedem um produto aos seus pais, não pela sua utilidade, mas como prova de atenção e carinho, também filhos de pais separados que consomem de acordo com a competitividade de seus pais que tentam “comprar” o afeto de seus filhos. Podemos observar também o desenvolvimento de necessidades mais complexas ao longo do crescimento da criança. Com a família ela aprende normalmente hábitos alimentares, lazer, cultura e arte. Desde o seu nascimento a criança “consome” produtos pré-estabelecidos por seus pais. Essa cultura de consumo começa já na maternidade, com a escolha de determinada marca de fralda que irá usar. Com o tempo a criança adquire uma cultura “imitada” de seus pais. A televisão também se mostra como uma arma potente na mente dos pequenos. Um recém-nascido chora, pois está com fome e uma criança de 10 anos chora, pois que comer um determinado chocolate ou uma refeição do McDonald´s. Com o vestuário, o consumo é influenciado pelos hábitos do seu grupo escolar. A época da socialização coloca a criança em contato com um universo amplo e diferente do que ela conhecia anteriormente (família), e é nessa fase que o marketing atua de forma contundente mostrando à criança mensagens que se associam ao convívio e inserção social. Ao entrar na adolescência o vestir-se pode conotar a expressão de sua identidade e sexualidade, já a necessidade de aceitação social pode demandar consumo por marcas específicas.
Os padrões de consumo das crianças são profundamente influenciados pelas alterações culturais. Desde muito cedo os pequenos aprendem que objetos têm um valor simbólico e que estes determinam o seu lugar em uma sociedade. A cultura de consumo, que é diariamente massificada em nossas mentes, estimula a compra e a posse como fonte de status. As crianças além de influenciadas por seus grupos de referência fazem às vezes de influenciadoras: é comum as crianças apresentarem aos seus pais novos produtos, mesmo quando estes bens não lhe interessam diretamente.
Eu investiria nesses notáveis consumidores, e você???
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário